Opinião

Por que Helder Barbalho interveio na questão dos brigadistas de Alter do Chão?

Não há como falar em prisão no Brasil sem lembrar do caso da Escola Base ocorrido em São Paulo, lá pelos anos 90, em que acusados injustamente tiveram suas vidas devastadas por uma ação desastrosa e estabanada da polícia e da mídia. 

Há de se ter cautela, portanto, antes de sair acusando este ou aquele indivíduo, uma vez que todos são inocentes até que se prove o contrário segundo o salutar princípio da presunção de inocência previsto em nossa constituição cidadã.

Por outro lado, não se pode simplesmente desprezar por completo a atuação da polícia e dos órgãos judiciais julgando a sob um ponto de vista ideológico ou pressionados pela mídia, movimentos sociais ou pela opinião pública internacional, afinal, tão certo como a presunção de inocência é a regra de que todos são iguais perante a lei.

Pretos, pobres e analfabetos são tão iguais quanto veganos ambientalistas descolados. Quando aqueles são presos, naturalmente são com base em indícios mínimos de autoria e materialidade, por que com estes últimos seria diferente? Ou será que o delegado de lá odeia hippies e o juiz, homens tatuados?

Dito isto, fico a me perguntar por que razão o governador Helder, atropelando as regras de distribuição de atribuições, substituiu, às pressas, o delegado responsável pelo caso dos ongueiros acusados de incendiar uma área de reserva ambiental em Alter do Chão, e nomeou um ad hoc.

Curioso é que fez isso nos minutos seguintes à partida do presidente Bolsonaro do Pará, tão logo inauguraram a usina de Belo Monte em Altamira. Como se pelas costas fizesse algo que não teria coragem de fazer na frente.

Não fez o mesmo, por exemplo, com os produtores rurais acusados de incendiarem a margem da BR-163 através de um grupo de whatsApp, no caso conhecido como “dia do fogo”.

Por que razão então, teria resolvido substituir o delegado responsável naquele caso?

Sem querer fazer acusações levianas, precipitadas e infundadas, a razão me força a pensar em apenas duas alternativas para tal atitude: ou Helder desconfia que os brigadistas sejam inocentes e que, por conseguinte, sua polícia fez uma grande e retumbante besteira ou, o que pior, desconfia que são culpados e por alguma razão os quer soltos.

É um dilema lógico e uma conclusão necessária e irrefutável. 

Se assim não fosse, alguém poderia tentar me convencer da razão de ele não deixar o rio correr seu curso natural e o inquérito e a ação penal prosseguirem? Por que arriscaria intervir em um processo apinhado de questões ideológicas espinhosas e controvertidas?

Coisa meio de quem tem culpa no cartório.

Para não sermos injustos com o senhor governador, a bem da verdade há ainda uma terceira explicação convincente:  Helder, como todo populista, governa irresponsavelmente conforme a opinião pública lhe orienta, ao sabor do vento.

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Eduardo Cunha

Eduardo Cunha é o editor chefe do ParaWebNews. É Advogado (UFPA) com especialização em ciências criminais, músico, social media, blogueiro e jornalista, acumulando anos de experiência dos bastidores da política no Estado do Pará.

Um Comentário

  1. Caro escriba, se isto não for interferência na investigação, não sei mais o que é.
    Vindo dessa família, podemos esperar qualquer coisa, desde que não interfira em seus interesses pessoais.
    Vislumbro que vão colocar na conta do delegado, vão queimar o cidadão por fazer o trabalho dele.

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