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Por que a Globo não deixa Chico Pinheiro apresentar o Bom Dia sozinho?

Telespectadores mais atentos do Bom Dia Brasil ficaram intrigados com uma fala de Chico Pinheiro no encerramento do telejornal em 11 de outubro. “Três semanas [de férias] pra vocês terem uma pausa de Chico Pinheiro. Mas eu volto”, anunciou. “Eu volto!”, repetiu, com ênfase, apontando para a colega de bancada Ana Paula Araújo.

Apesar do clima descontraído e dos risos dos apresentadores do matinal da Globo, a fala deixou no ar que existe algum mal-estar entre Pinheiro, de 66 anos, e Ana Paula, 47. Teve gente que entendeu que Chico estaria indicando que a colega estaria puxando seu tapete.

De fato, Chico Pinheiro e Ana Paula Araújo se detestam. Profissionais, eles interagem quando estão no ar, mas não se falam nos bastidores. E Ana Paula vem fazendo campanha para se tornar a única titular do Bom Dia Brasil no Rio de Janeiro quando Chico Pinheiro deixar a Globo, o que deve ocorrer no ano que vem, quando vence seu contrato.

A cúpula do Jornalismo da Globo, segundo fontes, já trabalha com a hipótese de ter apenas um apresentador do Bom Dia Brasil no Rio, e não mais dois. Isso se justifica porque o jornal perdeu meia hora de duração, no início de 2019, e boa parte desse tempo tem sido ocupado por âncoras de outras praças, como Rodrigo Bocardi em São Paulo e Giuliana Morrone em Brasília.

Há dois anos, a Globo trata Pinheiro e Ana Paula Araújo com pesos diferentes. Ana Paula sempre apresenta o Bom Dia Brasil sozinha quando Chico Pinheiro sai de férias. Já Chico Pinheiro sempre tem companhia nas férias da colega. Foi assim no último afastamento dos dois.

Ana Paula ficou sozinha no estúdio do Bom Dia Brasil 14 e 29 de outubro. Na volta de Chico, ela foi para o Jornal Nacional substituir Renata Vasconcellos, e Giuliana Morrone ficou incumbida de substituí-la no matinal de 4 a 13 de novembro. Em outras palavras, Globo não deixa Chico Pinheiro ancorar o Bom Dia Brasil sozinho durante as férias de Ana Paula. Ele só atua como único apresentador muito eventualmente, em feriados.

Na última quarta (27), o Notícias da TV perguntou à Comunicação da Globo por que a emissora dá tratamento diferenciado a pessoas que ocupam o mesmo posto. Não houve resposta até a publicação deste texto.

Jornalista caiu em desgraça

Coincidentemente, Ana Paula Araújo passou a apresentar o Bom Dia Brasil sozinha há dois anos, quando Pinheiro embarcou em uma jornada de desgaste junto à cúpula da emissora.

Na noite de 2 de dezembro de 2017, no momento em que saía de férias, Pinheiro encerrou o Jornal Nacional com um discurso louvando o Dia Nacional do Samba e com um “saravá e boa noite pra você!”, para espanto dos evangélicos.

O excesso de informalidade associado com uma saudação*que remete à Umbanda e ao Candomblé irritou até a família Marinho, dona da Globo.

No Carnaval de 2018, Pinheiro recebeu outra “enquadrada” de seus chefes. Durante a transmissão, fez uma dura crítica à corrupção no governo federal, citando a frase “Tem que manter isso, viu?”, do então presidente Michel Temer, flagrado na delação premiada do empresário Joesley Oliveira defendendo o pagamento de benesses para o deputado cassado Eduardo Cunha Lima.

Dois meses depois, Pinheiro causou outro terremoto nos corredores da Globo. Por ironia do destino, coube a ele apresentar a edição do Jornal Nacional que noticiou a histórica prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por quem nunca escondeu simpatia. Diferentemente do dia do samba, desta vez o âncora adotou um tom de funeral –teve gente que jura que viu seus olhos marejados.

No dia seguinte, começou a circular pelo WhatsApp um*áudio em que Chico Pinheiro fazia uma apaixonada defesa de Lula e criticava sua prisão. Ele nunca assumiu a autoria publicamente, mas o fez a seus superiores e colegas de TV. Por pouco Chico Pinheiro não teve o contrato rescindido.

No mesmo dia em que circulou o áudio da defesa de Lula, o diretor-geral de Jornalismo da Globo, Ali Kamel, distribuiu um comunicado determinando a todos os jornalistas da casa que “não se pode expressar essas preferências [políticas e partidárias] publicamente nas redes sociais, mesmo aquelas voltadas para grupos de supostos amigos”, porque “contamina” o trabalho do profissional e compromete a isenção do veículo.

Fonte Notícias da TV

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