Opinião

O suposto “encontro” de Helder com o Papa: mais um fake news

Não dá para ir a Roma sem ver o Papa, correto? Todos os domingos são milhares de pessoas que se juntam na praça São Pedro só para vê-lo, ao meio dia, no “Angelus“. Mas uma coisa é ver o Papa e outra bem diferente é ter um encontro pessoal e reservado com ele.

Eu mesmo já vi o Papa de pertinho quando visitei a Itália, mas foram poucos brasileiros que tiveram o privilégio de ter um “appuntamento con il Papa” uma “udienza privata“. Curioso que em português a palavra “encontro” possua o significado tanto de um compromisso agendado, quanto de um esbarrão casual.

Pois bem, quando Helder Barbalho anuncia em suas redes sociais ou em seu império de comunicação que “teve um encontro com o Papa” devo concluir que se refere a esta segunda acepção da palavra, ou seja, “esteve ao lado do Papa”, porque “um encontro pessoal”, “una udienza privata” certamente não teve.

Acontece que todas as quartas feiras, o Papa sai à praça São Pedro para acenar a alguns turistas e cumprimentá-los. É a famosa ” Udienza Papale” ou “generale“.

A audiência  começa às 10h e dura um pouco mais de uma hora. Qualquer pessoa pode participar, basta que faça um pedido no site oficial da Prefeitura da Casa Pontifícia e chegue bastante cedo para poder encontrar o Papa logo na saída.

Em uma dessas audiências, o governador Helder fez questão de se “apresentar” e entregar alguns presentes ao Papa Francisco.

“Encontrar-se” com o Papa em reservado, todavia, significa ter um audiência agendada para conversar, um “appuntamento“. O Papa Francisco já se encontrou, por exemplo, com a ex presidente Dilma, com Ronaldinho Gaúcho, com o atleta Oscar e até com a atriz Letícia Sabatella e o Cacique Raoni, mas com Helder, nunca.

Ocorre que algumas subcelebridades se utilizam deste ardil para enganar trouxas e dizer que se “encontraram com o Papa”. Entre elas está nossa querida Fafá, o deputado petista Alessandro Molon e o governador midiático Helder Barbalho.

Não precisa ser nenhum “vaticanista” para notar a mudança de tratamento, basta observar o local onde foram tiradas as fotos, a cerquinha que separa os interlocutores e a multidão ao fundo.

Não importa que a língua portuguesa dê margem para a esperteza de alguns caras-de-pau e nem que as mídias sociais possam exaltar estes charlatões midiáticos e os meios de comunicação confirmarem suas histórias de pescador. Aqui vai um conselho bem apropriado para essa turma de espertalhões “quem se humilha será exaltado, e quem se exalta será humilhado ” ( Mateus 23:12)

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Eduardo Cunha

Eduardo Cunha é o editor chefe do ParaWebNews. É Advogado (UFPA) com especialização em ciências criminais, músico, social media, blogueiro e jornalista, acumulando anos de experiência dos bastidores da política no Estado do Pará.

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