Política

O que Helder e Jader defendiam sobre a tarifa de energia elétrica e porque mudaram de opinião

Jader propunha redução de 25% para 5% de ICMS

É muito conveniente assumir um ponto de vista quando ele atende exatamente suas necessidades e expectativas daquele momento político. Fazer críticas agressivas, sugerir medidas descabidas e aumentos irrazoáveis, fazem parte deste pacote. Quando se está na oposição age-se como estilingue. Depois, na situação, quem era estilingue vira vidraça, disse uma vez Jarbas Passarinho.

É que ao chegar ao poder os discursos mudam e a verve arrefece. Só um gestor sabe onde o calo realmente aperta.  

O PT que diga quanto perrengue passou quando, ao chegar ao poder, foi confrontado pela distância entre seu discurso de quando era oposição e a prática de sua gestão desastrosa e condescendente. “Corrupção” por exemplo, passou a ser palavra riscada de sua agenda.

FHC, que antes de ocupar o palácio do Planalto ocupou as cátedras e foi autor de vários livros, chegou e desabafar “Esqueçam o que eu escrevi” de tanto que foi cobrado.

Mais recentemente o líder do movimento MBL, Kim Kataguiri, fez um mea culpa admitindo ter agido de forma intolerante com muita gente nas redes sociais antes de assumir o cargo de deputado federal pelo DEM.

Falar é fácil, fazer é que são elas!

Uns por inexperiência, outros por mero cafajestismo político, o certo é que muita gente preferiria ter seus pensamentos relegados ao esquecimento a ter que explicar a razão de tanta incoerência se confrontados com os dias atuais. 

A família barbalho certamente está nesta lista. 

Perderia meu tempo e o dos leitores para enumerar as vezes que a imprensa dos barbalhos criticou sem dó nem piedade seus adversários tucanos Almir Gabriel e Jatene, por vezes, de forma inescrupulosa e leviana.  

Agora que Helder Barbalho chegou ao poder, até o carro prata, ícone representativo da violência urbana presente em todas as matérias criminais do DOL, sumiu do portal.  A violência desapareceu e o Pará parece viver um céu de brigadeiro.

O que dizer do piso do professor, tantas vezes cobrado e agora esquecido; do reajuste dos policiais militares e das promessas de concurso público? Perderíamos horas e horas.

Discurso e prática andam brigados e não é novidade para ninguém.

Mas aqui quero me ater apenas ao aumento do reajuste da tarifa de energia para não entediar demais o leitor e acabar por me perder no tema.

 Como é de todos sabido, o Pará tem a segunda energia mais cara do Brasil, perdendo por pouco para o Amazonas. A CELPA chega a cobrar R$ 1,05 (kwh), bem maior que a média nacional, que é de R$ 0,87.

Mas que dizia os barbalhos sobre isso antes de ocuparem novamente o Palácio dos despachos? 

O Pai, Jader Barbalho:

Em dezembro de 2017, o DOL estampava a manchete “CONTA DE ENERGIA PODE TER ICMS REDUZIDO” em que criticava as alíquotas altíssima de 25% de ICMS e mencionava uma ação contra o estado e Santa Catarina que tinha por objeto a redução da alíquota máxima para a alíquota geral do ICMS (17%), aplicável a outros bens e serviços, por violar o princípio da seletividade/essencialidade.

O senador Jader Barbalho comentava ” “O consumidor está acostumado a pegar a conta de energia elétrica e só olhar o valor final, sem prestar atenção em todas as cobranças feitas na composição final da tarifa. O absurdo é o paraense ter que pagar mais imposto na conta de energia do que o que gasta com imposto em um refrigerante, por exemplo”

Jader chegou a apresentar uma solicitação ao Ministério de Minas e Energia para que fosse reduzida a incidência de ICMS nas tarifas de energia. Segundo ele a atividade distribuidora de energia é “serviço”, cuja incidência de impostos é de apenas 5% (Imposto Sobre Serviços) e não 25% como é cobrado.

“Se assim for, o imposto utilizado atualmente, em sua tarifação, não deveria ser o ICMS, um imposto estadual incidente sobre a circulação de mercadorias, e sim o ISS, Imposto Sobre Serviços, de competência exclusiva dos municípios”, sugeriu. “Se a atividade distribuidora vier a ser denominada como serviço, e assim tributada, teremos a redução de uma taxa que é de 25% – podendo chegar a até 33% na chamada “cobrança por fora” – para uma alíquota módica de 5%, o que pode significar uma redução de 20% no custo final da energia para o consumidor”, ressaltou Jader.

O filho, Helder Barbalho:

Logo após a inauguração da Usina de Belo Monte, ocorrida nesta quarta (27) em Altamira (PA) Helder postou em sua conta do Twitter. Para um desavisado qualquer que visse aquela postagem, juraria que a tarifa alta da energia elétrica é culpa única e exclusivamente do Governo Federal. 

De uns tempos para cá, Helder parece ter se especializando na estratégia de assumir como sua as obras alheias e empurrar para os outros a responsabilidade por seus erros. 

Mas não foi só nas redes sociais que Helder Barbalho quis vender a imagem de que não tem culpa alguma pelas contas altas de energia que pagamos. Na ocasião da inauguração da usina de Belo Monte, (29) o ministro de Minas e Energia, Almirante Bento Albuquerque, deu um verdadeiro coice de mula no governador que deixou a todos os presentes constrangidos.

Antes de concluir seu discurso, Helder tentou emplacar a mesma lorota sobre a culpa da tarifa da energia elétrica empurrando para as costas do Governo Federal.

Sem perder a linha, o ministro não deixou por menos, questionou Helder sobre porque não fez esta proposta quando esteve no CNPE(Conselho Nacional de Politica Energética) órgão de assessoramento do Presidente da República para formulação de politicas e diretrizes de energia, já que foi Ministro da Integração do Governo Temer e Dilma.

Resumo da ópera:

O que fica muito nítido ao observarmos o comportamento de ambos em relação à redução da tarifa de energia, é que este se modifica conforma as suas conveniências, e neste caso, nem podemos culpar a inexperiência.

Jader defendia a atividade distribuidora de energia como “serviço” reduzindo da tarifa máxima, 25% para o valor de 5%. Agora que viu o filho vestir a faixa de governador achou por bem esquecer por completo o assunto.

Já Helder, procura empurrar a culpa dos 13 anos de fracassos da política energética dos governos anteriores, para este atual, em um surto de Alzheimer que lhe retira convenientemente dos governos Dilma e Temer.

Quando ocupou o cargo de Ministro da Integração Nacional e, de certa forma, podia ter feito algo de mais concreto pela política energética do Pará, optou por defender os interesses do Governo Federal.

Quando não estão sentados no trono, os barbalhos se intitulam a serviço do povo. Defendem ideias progressistas e propõe medidas mais duas ao governo. Quando são os reis ou estão ao lado dele, todavia, esse discurso muda diametralmente de posição. Aí a técnica muda, rezam para que as pessoas esqueçam por completo o que haviam dito ou feito no passado.

Não é pra menos que alguém uma vez tenha dito “Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta”.

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