Opinião

Lula livre: uma vitória de Pirro

Em um desses grupos de WhatsApp que faço parte um apoiador de Lula, conhecendo meu pensamento, postou uma mensagem direcionada a mim : “o choro é livre”.

Certamente falou aquilo para me provocar. Como um dos torcedores do time vencedor, precisava antes de tudo escarnecer o adversário para a comemoração ser completa e perfeita. Natural!

A questão é que, de fato, o choro é livre. Não só livre como democrático: todos nós choraremos. Falo isso com a serenidade de quem procura deixar de lado as paixões para ver as coisas de todos os pontos de vista e por todos os ângulos.

Não há nada para se comemorar e tampouco nesta guerra há vitoriosos, mas só perdedores.

Passada a euforia da festa que o salto duplo escarpado da mais alta corte do país proporcionou aos militantes petistas, a conta da farra começará a chegar, difusa e lancinante, como náuseas daquela ressaca que nos consome até as vísceras e a bilis fazendo a gente se ajoelhar e jurar nunca mais beber.

Hoje foi Lula. Amanhã quem sabe Dirceu e Veccari e alguns outros companheiros. A festa é boa, a música é vibrante e a mesa é farta. Por que não banquetear e brindar, repartir os despojos e pilheriar um ou outro “fascistinha”?

Nas redes sociais fervilham frases de apoio, comemorações e odes à liberdade e à democracia. Moralistas de plantão– talvez constrangidos–fazem questão de explicar que a decisão do STF nada tem a ver com Lula, mas sim com defesa máxima da Constituição.

O isentão sai do armário e se assume petista empedernido. O modinha, mesmo sem entender direito o que aconteceu, comenta “viu? eu falei que não existiam provas”, sem se dar conta que a soltura do prisioneiro –que continua condenado em primeira instância– nada tem a ver com a ausência de provas.

O que aconteceu foi que a alma mais honesta do país, cercada dos melhores e mais caros advogados do Brasil, sem conseguir demonstrar sua “inocência” resolveu mudar a lei.

Mas como fica esta festa amanhã? O que vão comemorar os “grelos duro” quando sairem os feminicidas, seviciadores e tarados? A que vão brindar os LGBTs quando seus algozes forem libertados?

E os bandidos do colarinho branco que não vestem o vermelho? E os assassinos, estupradores, latrocidas e traficantes que não tiveram sua prisão preventiva decretada?

Não amigo, não sou eu quem tem de chorar, é a família das vítimas destes fascínoras, que os verão a rir e tripudiar suas dores, comemorando o tal “lula livre” na terra da impunidade.

O choro, de fato, é livre. Pena que nenhum de nós estará rindo amanhã.

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Eduardo Cunha

Eduardo Cunha é o editor chefe do ParaWebNews. É Advogado (UFPA) com especialização em ciências criminais, músico, social media, blogueiro e jornalista investigativo, acumulando anos de experiência dos bastidores da política no Estado do Pará.

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