Política

Janaina Paschoal sobre briga no PSL: ‘Essa confusão toda é irracional’

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) afirmou nesta quinta-feira (17) em seu perfil no Facebook que tem evitado falar publicamente sobre o cenário político por estar “pessimista com o Executivo, o Legislativo e o Judiciário”.

Escreveu que, ao ser questionada sobre a crise interna no seu partido, só pode dizer que “não tem a menor ideia do que se passa”.

Em entrevista à ÉPOCA, ela acrescenta: “Essa confusão toda parece irracional para mim”.

Janaina defende o fim dos fundos partidários e eleitoral, que representam, no caso do PSL, um adicional de R$ 268 milhões no caixa do partido em 2020.

“Essa desgraça é que gera grande parte das brigas e atrai bandidos para todos os partidos”, diz a deputada.

Critica também o vínculo existente entre as siglas e seus candidatos. “Escravizar pessoas a partidos é modelo falido”.

A senhora concorda com as críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro à direção do PSL?

Tenho desempenhado minhas atividades na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) sob uma perspectiva eminentemente técnica. Tenho dedicado toda a minha energia ao trabalho como parlamentar. Não tenho e não pretendo ter envolvimento partidário, até por ser defensora das candidaturas avulsas. Nesse contexto, tenho dificuldade para me manifestar sobre essa disputa, já que conto com as mesmas informações disponíveis aos demais cidadãos brasileiros.

Em sua opinião, qual o problema do PSL?

O problema não é o PSL. O problema está em escravizar as pessoas a partidos. Esse modelo está completamente falido. Temos de ter coragem para dar um passo além. Em 9 de dezembro, haverá uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) justamente para discutir as candidaturas avulsas. O STF tem inovado em tantas pautas, não raras vezes de maneira contrária ao que seria adequado à evolução do país. Pois bem, aí está uma oportunidade de inovar para o bem. O Pacto de San José da Costa Rica, do qual somos signatários, prevê as candidaturas avulsas, basta observar esse direito fundamental de todo cidadão. No início de meu mandato, cheguei a fazer uma audiência pública sobre o tema na Alesp.

No futuro, a senhora concorreria numa candidatura independente se fosse possível?

Em 2020, não concorrerei a nada. Em 2022, se decidir ficar na política, adoraria poder concorrer de forma independente.

Existe uma caixa-preta no PSL que precisa ser investigada?

Não tenho como avaliar para além do achismo. A meu ver, no entanto, essa tal caixa-preta está presente em todos os partidos. A questão é que a imprensa só se preocupa com o PSL. O bom seria abrir todas as caixas-pretas e, de uma vez por todas, mudar esse sistema ultrapassado.

A senhora confia na idoneidade de Luciano Bivar, presidente do PSL?

Meu contato com o presidente Bivar é distante. O que posso dizer é que todas as vezes em que conversei com ele (pessoalmente ou por telefone), ele se mostrou uma pessoa educada, democrática, respeitosa para com os pensamentos alheios. Acerca de alguns temas, temos visões antagônicas, mas ele nunca foi grosseiro em relação a isso. Acredito que ele jamais oporia qualquer resistência a um pedido educado do presidente Jair Bolsonaro. Essa confusão toda parece irracional para mim. Por que o presidente diz que Bivar está queimado ao mesmo tempo que mantém o ministro do Turismo (Marcelo Álvaro Antônio)? Esse comportamento é contraditório. As acusações que pesam contra Bivar são próximas àquelas atribuídas ao ministro do Turismo. Neste último caso, parlamentares alegaram ter sido ameaçadas. Se um incomoda, o outro deveria incomodar também. Em virtude dessa dualidade, creio que a disputa tenha outro motivo.

A senhora é a favor da permanência de Marcelo Álvaro Antônio à frente do Ministério do Turismo mesmo depois de ele ter sido indiciado pela Polícia Federal por suposto envolvimento em esquema de laranjas no PSL mineiro?

Fui a primeira brasileira a pedir para o presidente Bolsonaro afastar o ministro do Turismo. Com isso, não estou antecipando culpa, estou apenas querendo preservar o governo. Eles se afasta, se defende e, a depender do resultado do processo, retorna ao cargo. Defendi isso em casos semelhantes na época do PT e defendo também para o governo Bolsonaro. Não faço diferenças.

A senhora pretende seguir o presidente Jair Bolsonaro caso ele mude de partido?

Não, lutarei pelas candidaturas avulsas. A verdade é que, hoje, se o presidente sair, pela lei eu não posso sair com ele. Todos terão de aguardar a janela partidária. No entanto, mesmo que eu pudesse sair, não seguiria o presidente. Seguirei apoiando o governo dele, mas a dinâmica que ele estabeleceu em torno dos familiares gera muita insegurança. Vou ficar quieta em meu canto, fazendo meu trabalho. Entrei no PSL para ajudar o presidente a vencer o PT. Conseguimos. Agora é preparar o país para uma mudança consistente.

Na eventualidade de uma debandada do PSL, a senhora é a favor de que esses parlamentares possam migrar e, ainda assim, continuar usando a verba partidária?

Sou a favor de acabar com o fundo partidário e o eleitoral. Essa desgraça é que gera grande parte das brigas e atrai bandidos para todos os partidos. Tirando o dinheiro, só ficará quem quer trabalhar para o bem comum. Será que Bolsonaro e Bivar estariam em guerra se não fosse o dinheiro? Lembro bem que, na campanha, Bolsonaro temia entrar em um partido que o vendesse às vésperas da eleição. Bivar se afastou para Bolsonaro ter confiança de que isso não ocorreria. Finda a eleição, Bivar retomou a presidência do partido. Tem sentido Bolsonaro precisar dessa engenharia para ter certeza da possibilidade de manter a própria candidatura (à Presidência da República)? Partido é um inferno. Precisamos virar essa página.

Em que lugar do espectro político ficaria um novo partido com o DNA da família Bolsonaro: centro-direita, direita ou extrema-direita?

Não gosto muito de classificar as pessoas ou mesmo as siglas. Essas classificações são todas falhas.

Fonte: Época

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