Regional

As cores do carnaval brasileiro na Floresta Amazônica

CAMETÁ (PA) –  Bem longe das conhecidas festas do Rio, Salvador, Recife e São Paulo, um carnaval diferente faz a sua história na folia brasileira. Em Cametá, no interior paraense, centenas de participantes navegam as águas do rio Tocantins, na região amazônica, com fantasias e máscaras coloridas. 

Nesse sábado, 22, as cores invadiram a pequena cidade de Cametá, que tem pouco mais de 100 mil habitantes. O chamado “Carnaval das Águas” começou há 87 anos nas comunidades pesqueiras de Cametá, onde cerca de vinte pessoas atravessam os rios a bordo de pequenos barcos de madeira. 

Lá, as cores quentes e vibrantes das fantasias se misturam com o marrom das águas e o verde intenso da floresta que protege os rios. O local conta com diversos tipos de animais, incluindo botos cor-de-rosa, um dos grandes símbolos da Amazônia.

“Viemos de Belém e é a primeira vez que estamos aqui. É impressionante ver a riqueza cultural e ver a comunidade fazendo tudo à mão. É uma dedicação de um ano inteiro. É um trabalho muito elaborado, manual”, disse a fotógrafa de moda Raquel Sanches, de 24 anos. Para ela, as festas de carnaval de Cametá se diferem das outras por sua “performance”, que “tem influências de teatro, cenografia e de vários segmentos misturados com muito carinho num carnaval muito bonito e autêntico “.

Blocos urbanos são concorrência para folia tradicional

O “Carnaval das Águas”, com quase um século de tradição, perde cada vez mais seguidores diante da presença dos pequenos ‘blocos’, famosos em metrópoles como São Paulo, Rio, Salvador e Recife, e que tem se multiplicado por todo o País, até mesmo na Amazônia remota.

O músico e compositor Mestre Vital, um dos septuagenários e líderes do “Carnaval das Águas”, espera que a festa conviva com a modernidade dos ‘blocos’, impulsionados pelos mais jovens e que eles possam manter uma tradição que se consagrou como uma das riquezas culturais e do artesanato da Amazônia.

De acordo com Mestre Vital, as festas carnavalescas de Cametá deveriam ter mais apoio do governo local, para preservar esse legado de comunidades pesqueiras da Amazônia e juntando-se às muitas vozes da região que pedem mais atenção aos problemas socioambientais do chamado ‘pulmão’ do planeta.

“É muito interessante culturalmente, mas principalmente por causa da história de como (o ‘Carnaval das Águas’) faz parte do cotidiano das pessoas que vivem em comunidades ribeirinhas e acho que é muito forte a relação que eles têm com essa tradição”, disse a publicitária Rafa Cardoso. Segundo ele, “existe uma preocupação muito grande em não deixar essa cultura morrer e não deixar essa tradição se perder”.

Fonte Estadão

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