Opinião

Afinal, que medidas estão sendo tomadas pelo governo do estado sobre a situação dos venezuelanos no Pará?

Falo deste assunto sabendo tratar-se de um problema para lá de espinhoso e complexo: o crescimento insustentável dos venezuelanos nos centros urbanos, mais especificamente dos indígenas da tribo Warao, etnia indígena que teve como origem o nordeste da Venezuela e norte das Guianas ocidentais e que tem migrado para o Brasil, em especial para as cidades do norte do país.

Espinhoso porque a cultura dos Warao envolve condutas desvaloradas pela nossa, por vezes até tipificadas como crime, como a mendicância e a utilização de crianças menores de idade. Além deste fato, na cultura Warao, são as mulheres e as crianças que vão às ruas enquanto os homens apenas cuidam das finanças da família. Neste final de ano circulou um vídeo em que indígenas embriagados protagonizaram cenas de desacato e vandalismo em Belém.

Não é raro também, ver indígenas Warao jogando comida doadas ao lixo, causando indignação nas pessoas. Isto sem falar da questão ideológica pelo fato de a Venezuela, país de onde migraram, ser um país socialista e passar por grave crise democrática, para não dizer a palavra “ditadura”.

Tudo isto gera em parcela da população uma certa aversão aos indígenas. Negar isto é tapar o sol com peneira, tampouco ajuda a situação caótica dos Warao.

Por outro lado, se mostra um problema complexo, porque o país também enfrenta uma crise econômica sem precedentes cujos próprios nacionais também passam, muitas vezes, por situações de penúria, desemprego e fome.  Dizer que algum ente da federação estava preparado para este acréscimo inesperado de despesas sem um aumento da arrecadação correspondente é tolice ou cafajestismo intelectual puro e simples.

De fato, ninguém estava, todavia, o problema está aí e deve ser enfrentado respeitando a dignidade da pessoa humana e, é claro, levando em conta também os problemas que esta situação causa às cidades e aos seus moradores.

Feitas essas ressalvas, me pergunto quais as medidas que o governo do estado do Pará está tomando para acolher os Warao que já aqui estão e conter o avanço epidêmico desta migração desordenada?

Falo isto porque é visível o crescimento dos Warao. O que antes se resumia em um pequeno grupeto em alguns trechos de Belém, como o Ver-o-Peso, a Praça do Relógio, a Riachuelo, hoje se mostra um conjunto bem maior de indígenas espalhados, não só por Belém, como por várias outras cidades no interior do Pará.

Bem ou mal, o município de Belém já vem criando políticas públicas para acolher os Warao. Em novembro de 2019 chegou a firmar um termo de parceria com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados no Brasil (Acnur Brasil) e hoje a Fundação Papa João XXIII (Funpapa) atende cerca de 420 indígenas.

Também a sociedade civil vem respondendo a esta demanda com ações próprias, como foi o caso do I Encontro Nacional de Pastores em apoio à Operação Acolhida, que aconteceu nos dias 7 e 8 de novembro, em Boa Vista (Roraima) que visa acolhe-los em abrigos nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. A Assembleia de Deus em Belém (PA), chegou a trazer para a capital paraense 150 imigrantes que morarão em um hub de acolhimento criado pela denominação até serem levados para o Sul do país.

Enquanto vemos algumas ações concretas, por mais que ainda incipientes e paliativas, sendo colocadas em prática, por outro lado o DOL ( Portal da família barbalho) parece, a todo custo, querer utilizar esta situação verdadeiramente preocupante, como despudorada ferramenta de ataque aos adversários.

Ainda outro dia publicou matéria em que acusava o governo tucano de retirar venezuelanos das praças de Belém por ocasião do Círio de Nazaré.

Mas ai me vem a pergunta : “Que bosta Helder está fazendo para resolver a situação gerada pela migração desordenada dos Warao no Pará?”

A pergunta é meramente retórica, uma vez que todos sabemos a resposta: NADA.

Não à-toa o MPF deu um pito no governo do estado em dezembro do ano passado, cobrando de Helder para que sejam tomadas medidas de garantia do abrigamento e assistência humanitária a refugiados indígenas venezuelanos.

A recomendação foi assinada pelo procurador da República Felipe de Moura Palha e foi endereçada ao ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ao governador do Pará, Helder Barbalho, e ao prefeito de Ananindeua, Manoel Pioneiro.

Se a recomendação não for acatada ou se as respostas forem insatisfatórias, o MPF pode levar o caso à Justiça. Se as respostas não forem apresentadas, a omissão pode configurar improbidade administrativa e crimes puníveis com até três anos e seis meses de prisão, além de multas.

Até então Helder tem usado a estratégia de responsabilizar o governo anterior por todos os males que acontecem em sua administração. E agora, será que irá continuar a por a culpa no Jatene?

Com a questão da Amazônia em alta, vira e mexe, Helder adora tirar selfies ao lado de índios, com cocares, miçangas e pinturas. Será preciso lembrá-lo que os Warao são indígenas também?

Helder, que políticas estão sendo tomadas para o caso dos Warao no Pará? Vamos esperar chegar a uma situação semelhante a Roraima?

A população exige respostas.

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Eduardo Cunha

Eduardo Cunha é o editor chefe do ParaWebNews. É Advogado (UFPA) com especialização em ciências criminais, músico, social media, blogueiro e jornalista, acumulando anos de experiência dos bastidores da política no Estado do Pará.

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