Política

Afinal, houve um “boom” de domésticas viajando para Disney?

O Ministro da Economia Paulo Guedes causou mais uma vez polêmica ao tentar explicar sobre o dólar alto. O ministro disse que o “dólar alto é bom para todo mundo”.

Ele afirmou que, com o dólar mais baixo, “todo mundo” estava indo para a Disney, nos Estados Unidos, inclusive “empregada doméstica”. E recomendou que os brasileiros viajem pelo Brasil.

— O câmbio não está nervoso, (o câmbio) mudou. Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para Disneylândia, uma festa danada. Pera aí. Vai passear ali em Foz do Iguaçu, vai passear ali no Nordeste, está cheio de praia bonita. Vai para Cachoeiro de Itapemirim, vai conhecer onde o Roberto Carlos nasceu, vai passear no Brasil, vai conhecer o Brasil. Está cheio de coisa bonita para ver — disse o ministro, durante um evento em Brasília.

A fala sobre as empregadas domésticos num tom Caco Antibes, causou discussões e repúdios, além de servir como fortalecimento da narrativa do PT.

Paulo Guedes foi infeliz e merece todas as críticas.

Polêmicas à parte, tanto a fala de Paulo Guedes como a narrativa levantada pelo PT, estão dissociados da realidade.

De acordo com levantamento do Ministério do Turismo, 44% dos brasileiros nunca fizeram turismo dentro do Brasil.

Entre 2003 e 2010 – no governo Lula – 5.243.000 brasileiros desembarcaram nos EUA. Não há estatística a respeito do total de passageiros únicos, mas ainda que considerássemos este número dessa forma, pouco mais de 2% da população brasileira viajou aos EUA durante o período.

– 2014 foi o ano em que mais brasileiros viajaram aos EUA: 2,27 milhões. – 2018, último ano da série histórica até aqui, foi o terceiro com o maior número de brasileiros nos EUA: 2,20 milhões.

Na média, 1,98 milhão de brasileiros alcançaram os EUA anualmente durante 2011 e 2015, e 1,94 milhão de brasileiros fizeram esse mesmo trajeto entre 2016 e 2018. Na média, menos de 1% da população brasileira viaja anualmente para os EUA.

Desse total, próximo de 0,5% da população brasileira alcança Orlando, na Flórida, sede da Disney. E este número, embora pequeno, vem aumentando, não diminuindo.

As redes sociais fazem um esforço monumental para nos enclausurar numa bolha de classe média, num mundo encantado em que empregadas domésticas viajam para a Disney, mas este é mais um esforço da propaganda política. No Brasil, ontem e hoje, quem faz turismo é o topo da pirâmide.

Colaboração Rodrigo da Silva

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